Decisão Integrativa Estruturada

Alias

Processo Integrativo de Tomada de Decisão

Contexto

Um círculo que está começando a praticar o modo adaptar, tem pouca experiência com a decisão integrativa e cai facilmente em uma busca por consenso ou aprovação unânime do grupo.

Problema

A flexibilidade do modo adaptar pode contribuir para o grupo fazer o que sempre fez: buscar a conformidade social mais do que o senso crítico e uma decisão rápida. O problema se torna ainda mais relevante em grupos apegados em decisões por consenso. O facilitador também pode se sentir inseguro em conduzir um processo que ele nem imagina como pode ser feito.

Forças do problema

O modo adaptar descrito nos Meta-Acordos da O2 dá bastante liberdade para que o facilitador opte por diferentes formatos, desde que respeite alguns contornos básicos, como a integração de objeções

Solução

A solução envolve um conjunto de etapas que o facilitador pode percorrer para tratar cada tensão apresentada no modo adaptar de um círculo. Estas etapas envolvem:
1. Apresentação da Proposta No primeiro momento, o proponente apresenta sua tensão e proposta. É importante que somente ele ou ela fale, a não ser que peça ajuda dos demais para construir a proposta.
Fluxo: Facilitador: Qual é a sua tensão? Secretário registra a descrição da tensão em um local visível para todos. Facilitador: Qual é a sua proposta para tratar a tensão? Se não houver proposta: Facilitador: Alguém tem alguma ideia de como tratar esta tensão? Quando a primeira ideia surgir, verificar se atende a tensão original e se sim, seguir. A ideia precisa atender somente a pessoa que trouxe a tensão (atenção a busca pelo consenso). Secretário registra todas as partes da proposta (criação, modificação ou exclusão de papéis, círculos e restrições). Facilitador: Esta é a sua proposta? Se necessário, o proponente pode fazer ajuste Secretário atualiza.
2. Perguntas de Esclarecimento Neste momento os demais participantes podem fazer perguntas para entender melhor a tensão ou a proposta. Os participantes perguntam, o proponente responde, uma pergunta de cada vez. O proponente sempre pode responder: "não sei", "não está especificado na proposta" ou "não refleti sobre isso".
Fluxo: Facilitador: Alguém gostaria de fazer uma pergunta de esclarecimento para entender melhor a tensão ou a proposta apresentada? Participante pergunta, proponente responde. Repetir até acabarem as perguntas.
Os participantes podem fazer diversas perguntas. Em alguns casos, perguntas com a intenção de influenciar o proponente podem surgir, por exemplo: Você não acha que… ? Não seria melhor se… ?
É importante esclarecer aos participantes que a intenção do momento é buscar informação e entendimento sobre a tensão e a proposta, e não influenciar o proponente. Caso uma dessas surja, você pode intervir, dizendo: Me parece que a intenção da sua pergunta é convencer ou sugerir algo para a pessoa que está trazendo a proposta. Estou certo? Se a pessoa confirmar, diga: Certo, neste caso peço para que aguarde até o próximo momento, que é a rodada de reações. Nós geralmente preferimos fazer o esclarecimento antes da reação para investirmos um bom tempo entendendo o que está sendo apresentado como proposta antes de oferecer nossas opiniões. Se a pessoa negar, diga: Que tal você repetir a pergunta de uma forma mais aberta, começando com "como", "o que", "por quê"? Ex: Como você vê …? Por que você escolheu… ?
3. Rodada de Reações Na rodada de reações, o facilitador pede que os participantes, um de cada vez (exceto o proponente), compartilhem uma opinião, sugestão, apreciação ou crítica à proposta apresentada.
Fluxo: Facilitador: Gostaria de pedir que cada um oferecesse uma reação, opinião ou sugestão ao proponente. Para pular, diga "sem reações". Proponente pode anotar sugestões que considerar úteis. É importante evitar:
Neste momento, é importante evitar (dê estas orientações antes de começar a rodada se achar necessário): Perguntar diretamente ao proponente, já que ele/ela não poderá responder durante a rodada de reações. Reagir sobre a reação de outros participantes, já que não se busca o consenso e eles também poderão não ter a oportunidade de responder.
Como se trata de uma rodada, a intenção é que cada pessoa só tenha um momento para a fala e que este momento não seja repetido. Geralmente quando uma pessoa pede para repetir, as outras também querem ter uma segunda chance. E aí é um pequeno passo para uma discussão aberta.
Como facilitador, evite qualquer interrupção ou correção da fala, mesmo que aquelas boas práticas iniciais não sejam cumpridas. Mais importante do que uma fala correta é uma fala, então uma "correção" pode inibir as pessoas a expressarem suas reações.
4. Alteração da Proposta Nesta quarta etapa, o proponente pode falar apenas e fazer uma alteração na proposta ou então algum esclarecimento, caso acreditar que algo não foi bem compreendido na proposta, frente às reações que ele ou ela ouviu.
Fluxo: Facilitador: Agora você pode fazer uma alteração na proposta ou esclarecer algum ponto a partir das reações que ouviu. Secretário registra as mudanças, se houver.
Neste momento pode ser que a pessoa que trouxe a proposta se sinta no dever de endereçar todas as preocupações, críticas ou sugestões que surgiram na rodada de reações. Se isto acontecer, o facilitador pode lembrá-lo que o objetivo é atender a tensão original, e nada além disso. O próximo momento permite aos participantes trazerem objeções caso vejam algum dano que a proposta pode causar.
5. Rodada de Objeções Em uma rodada (mesmas regras da rodada de reações, um de cada vez, sem repetir) os membros do círculo podem declarar se tem uma objeção à proposta. Por objeção entendemos "um dano que a proposta causa, ou um motivo no qual ela não é segura o suficiente para tentar".
Fluxo: Facilitador: Agora vocês podem declarar, um de cada vez, se vêem algum dano que a proposta causa. Caso sim, digam "objeção". Quando a primeira objeção surgir, o facilitador deve verificar se ela precisa ser integrada neste momento de acordo com os critérios de objeções válidas dos Meta-Acordos. Para isto, veja o padrão "Validação de Objeções". Se a objeção precisar ser integrada, integrá-la antes de verificar se existem outras. Ver padrão "Integração de Objeções".
Quando não houver mais objeções, a proposta está aprovada e o Secretário deve atualizar a estrutura organizacional para contemplar as mudanças. Sempre tratar uma objeção de cada vez. Toda vez que a proposta sofrer alguma alteração devido a uma integração de objeção, o facilitador deve repetir a rodada de reações se certificando de que nenhum Membro do Círculo tenho uma objeção à nova proposta. Somente membros do círculo podem levantar objeções, diferente das reações e perguntas que podem ser abertas a outros participantes.

Contexto resultante

Depois de muita prática com a Decisão Integrativa Estruturada, é comum que os participantes se habituem com as etapas e tragam suas falas nos locais mais apropriados. Você encontrará menos perguntas influenciadoras, reações mais precisas e menor busca pelo consenso. Nas primeiras experiências com esse padrão você pode levar de 20 a 60 minutos para tratar cada tensão, dependendo da complexidade da proposta e do que está em jogo. Com a prática as tensões podem ser processadas em 5 minutos ou menos.

Fundamentação

A Decisão Estruturada foi adaptada a partir do Processo Integrativo de Tomada de Decisão encontrado na versão v4.1 da Constituição da Holacracia.
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